Poucos empreendimentos se transformam em histórias de sucesso ou histórias para se orgulhar. A maior parte não passa de negócios passageiros ou de negócios que subsistem e persistem na mediocridade. E não poderia ser diferente. Seus dirigentes almejam aquilo que conseguem, ou seja, apenas sobreviver.
Tenho me deparado com empresários de todos os tipos e dos mais variados ramos de atividades. Quando pergunto sobre a visão que possuem do futuro de seus negócios, as respostas são, quase sempre, voltadas à sobrevivência, ou seja, direcionadas ao aumento das vendas ou à diminuição das despesas. Não pensam em desenvolvimento e riqueza mas em manter-se em pé. E é o que conseguem.
A fórmula da sobrevivência é muito conhecida. Veja se reconhece algumas dessas crenças e práticas:
· O tamanho grande é o melhor. O ganho de escala reduz o preço final e é isso que o mercado deseja. Por isso, crescer é o verbo mais importante. Além disso, é importante instituir processos enxutos e econômicos.
· Controle tudo o que puder. O principal trabalho do dirigente é manter a empresa nos trilhos. Saiba exatamente das atribuições de cada líder na empresa e peça que eles façam os mesmos com os seus subordinados.
· Estabeleça regras e normas e faça de tudo para que as coisas aconteçam conforme o previsto. Introduza um bom orçamento na empresa e faça com que todos compreendam que um bom orçamento é aquele que corresponde aos resultados efetivos.
· Introduza sistemas de incentivos monetários para que as pessoas trabalhem direito, andem na linha e produzam o máximo. Crie prêmios extras para aqueles que vestem a camisa. Demita os pesos mortos.
· Exija qualidade! Contrate um batalhão de controladores e consultores da qualidade para mostrar ao pessoal da fábrica que você não está para brincadeiras.
· O resultado de uma empresa depende de uma boa análise e interpretação dos números. Se você consegue ler balanços, você consegue gerir qualquer negócio. Pessoas, produtos e processos são apenas recursos que você precisa alinhar para obter os melhores resultados financeiros.
· Livre-se dos fanáticos defensores dos clientes. Afinal, se a empresa tem um plano, é isso que deve prevalecer.
· Se tudo o que está acima der errado, use a mais convencional de todas as fórmulas de sobrevivência: reduza os custos e encolha o quadro de pessoal.
Isso tudo garante a sobrevivência mas não forma a riqueza. Também não cria nenhuma história da qual se possa orgulhar.
O que faz desenvolvimento e riqueza é o capital intelectual. Entenda-se por capital intelectual o estoque de conhecimentos e experiências das pessoas de uma empresa. Entenda-se por pessoas de uma empresa, todos os que fazem o negócio acontecer, ou seja, clientes e colaboradores. Pois bem! Aí está o x da questão e daí advém algumas conclusões:
1) Poucos dirigentes de empresas reconhecem que negócios são pessoas e relacionamentos. É gente comprando, vendendo, produzindo, entregando, recebendo, pagando, usando etc.etc. Compreender a natureza humana é mais importante do que compreender os números da empresa. Entender de gente faz parte do rol de conhecimentos que um dirigente de empresa deve ter para deixar de pensar apenas na sobrevivência e colocar os pensamentos no que faz desenvolvimento e riqueza.
2) Nas demonstrações de resultados das empresas existe a conta conservação e manutenção, mas isto se refere às instalações físicas. Não existe a conta conservação e manutenção de cérebros humanos ou algo que se assemelhe com aumento do capital intelectual. Investe-se muito em tecnologia e pouco no desenvolvimento humano. Mantêm-se os ativos físicos e coloca-se para fora os ativos humanos. Investir na educação de líderes e colaboradores é fazer crescer o capital intelectual e, portanto, criar desenvolvimento e riqueza.
3) É realmente surpreendente que muitas empresas preferem desperdiçar talentos humanos jogando-os porta afora, na maioria das vezes com o intuito de diminuir o tamanho da folha de pagamentos. Está mais do que provado que turnover de funcionários provoca queda na taxa de fidelização de clientes. E isso é o contrário de desenvolvimento e riqueza.
4) Se os pensamentos dos líderes de uma empresa estão voltados para a redução de custos, então quem está pensando em criar valor? Se todas as atenções estão em cumprir o orçamento, então quem está pensando na satisfação do cliente? Se todos estão envoltos com a qualidade e a produtividade, então quem está pensando nas oportunidades?
5) Analisar, controlar, especificar e checar sempre foram os verbos que contribuíram para a sobrevivência. Tente trocá-los por conversar, comunicar, interagir, aprender, inspirar, criar, destruir e recriar.
Existem várias maneiras de compreender a riqueza e o sucesso empresarial. A mais comum é aquela relacionada aos ganhos ou lucro máximo. Muitos são os indicadores econômico-financeiros utilizados para medir esse sucesso empresarial: taxa de retorno, posição no ranking, participação no mercado etc.
Uma outra maneira de ver, sutilmente diferente dessa, está relacionada às contribuições que uma empresa se dispõe a oferecer ao seu mercado. Essas contribuições dependem do grau de comprometimento e motivação de uma equipe de trabalho e da energia que está disposta a despender em prol da satisfação do cliente.
Aí está a verdadeira riqueza e a oportunidade de contar uma história da qual todos se orgulhem.
Roberto Adami Tranjan
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