A internet, a globalização e as sofisticadas tecnologias da informação estão revolucionando os meios de pagamento ao redor do mundo. A moeda eletrônica fomenta de modo acelerado a integração entre os mercados e agrega novos usuários aos sistemas bancários. O Brasil aparece de modo destacado nesse processo.
Conforme levantamento do Banco Central do Brasil, divulgado no Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo do Brasil – Adendo 2008, entre 2001 e 2007 países como Bélgica, Alemanha, Espanha, Estados Unidos e outros reduziram, em média, em quase 60% a participação dos cheques nas transações sem uso de dinheiro manual. Na Suécia a redução foi de 100% e no Brasil de 64%. As formas de pagamento no varejo que mais cresceram foram os cartões de débito e de crédito. Os destaques desse aumento foram: Brasil (110%), Suécia (92%), Estados Unidos (49%) e Itália (43%).
A necessidade de reduzir custos de transação aos agentes produtivos e os riscos dos sistemas de pagamentos colocaram o Brasil na vanguarda desse processo em função dos vultosos investimentos que modernizaram a estrutura bancária do país.
O advento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) em 2002 fez o Brasil contar com uma das estruturas de transferências de crédito mais eficientes do mundo através da utilização das TED’s (Transferências Eletrônicas Disponíveis) e DOC’s (Documentos de Créditos).
O dinheiro eletrônico implica em custos menores das transações e isto, em última análise, determina grande parte da estrutura de uma economia. Quanto mais os custos forem reduzidos pelas novas formas de dinheiro as trocas serão dramaticamente atomizadas.
A economia brasileira conta com uma base crescente de instrumentos de pagamento eletrônico através de cartões de plástico. No final de 2008 o país registrava 208 milhões de cartões de débito (crescimento de 200% em cinco anos) e 132 milhões de cartões de crédito (aumento de 66% em cinco anos).
Toda essa estrutura de pagamento foi viabilizada com a expansão dos terminais eletrônicos no comércio e da rede bancária, lembrando ainda o destacado papel do Banco Postal em atender o público de baixa renda. Tudo isso difunde a moeda eletrônica. Através dessa forma de dinheiro as regiões mais remotas do país e os cidadãos que eram excluídos dos serviços bancários passam a usufruir dos benefícios da tecnologia.
O mundo vive uma revolução desencadeada pelo dinheiro eletrônico. Isso terá impacto profundo na atividade produtiva como os causados pelas novas formas de dinheiro criadas a partir das mercadorias-moeda.
O know-how brasileiro na propagação da moeda virtual coloca o país em posição privilegiada. A economia se torna mais eficiente com o dinheiro eletrônico e a cobrança de impostos deve seguir esse caminho. È uma questão de tempo a instituição do Imposto Único sobre a movimentação financeira nos bancos.
Prof. Dr. Marcos Cintra – (doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas).
Extraído do site – www.econeteditora.net
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