19/05/2009 • Liderança em Pequenas Doses

Sobre Liderança

Liderança é uma palavra que se distingue de gerência por ser uma função e não um cargo. O gerente nem sempre é um líder e um líder não precisa ser um gerente. Todos sabem quem é o gerente, mas nem por isso ele consegue liderar.
O líder não precisa do apoio do cargo. Sua liderança é legítima: exerce influência no grupo, todos sentem prazer em segui-lo possui uma visão de onde quer chegar sabe aproveitar ao máximo os talentos das pessoas.
O gerente possui uma autoridade institucionalizada. O líder possui uma autoridade conquistada. Para conquistar a liderança é preciso que haja competência. Líderes se desenvolvem não são fabricados. E isso acaba de uma vez por todas com a velha discussão de que o "líder é nato". Ninguém nasce líder. É possível que algumas pessoas possuam algumas inteligências mais desenvolvidas e que favoreçam mais o exercício da liderança. Mas o fato concreto é que liderança se aprende como tudo na vida.


Sobre Equipes

Líderes eficazes desejam ter o poder de decisão, mas normalmente permitem aos membros do grupo trabalharem de modo que desejam. Muitos chefes se encasquetam com o jeito das pessoas trabalharem. Intrometem-se no processo, na tarefa, no estilo. Ora! É castração pura! É criar bloqueios no ambiente de trabalho para que a iniciativa e a autonomia não se instalem.
O trabalho de equipe depende de clareza de objetivos (e isso é muito melhor do que discutir tarefas) de responsabilidades mútuas (definir com clareza qual é a parte que cabe a cada um naquele projeto) e definir em conjunto os indicadores de desempenho (para que todos saibam se estão indo no caminho certo).
Chefes costumam possuir objetivos próprios e não compartilhados, as responsabilidades são hierarquizadas sendo que ele, o chefe, fica com as principais, e os indicadores de desempenho existem somente para que ele possa "pegar no pé" da moçada. É um jeito de trabalhar que nunca forma time.


Sobre Motivação

Claro que o assunto "motivação" é um dos mais complexos e polêmicos das ciências comportamentais e gerenciais. Mas, se pudéssemos resumir nesse espaço, podemos afirmar que a autonomia talvez seja o componente mais motivador no ambiente de trabalho.
Trabalhar com liberdade e ir além do que as mãos podem fazer é que de fato mexe com o entusiasmo das pessoas. As pessoas querem usar suas cabeças (idéias e inteligências) para resolver problemas o entusiasmo aumenta se puderem usar também seus corações (sentimentos e emoções).
No fundo, as pessoas desejam ser plenas, inteiras. Espaços de trabalho que permitam essa completitude são os mais estimulantes e os que criam mais motivação. Os líderes sabem disso e lidam bem com isso. Os chefes não sabem disso e vivem na crença equivocada de que as pessoas só se interessam pelos salários e benefícios.


Sobre Intuição

Dê o nome que quiser: palpite, "sacada", inspiração, sexto sentido, sentimento. Não importa o nome: ela existe e funciona. Todos nós possuímos os nossos sistemas intuitivos e, dependendo do tipo de liderança que a empresa adota ou do tipo de ambiente em que as pessoas se organizam para trabalhar, tal recurso pode ser freqüentemente menosprezado e desperdiçado.
Se olharmos para pessoas bem sucedidas, veremos que boa dose do seu sucesso está relacionada com a sua intuição. Intuição é saber algo sem que estejamos conscientes desse conhecimento. Surge inesperadamente, sem que haja um processo lógico para explicá-lo.
Na verdade, não se trata de um poder sobrenatural e metafísico. O nosso sistema intuitivo possui uma rede de percepção que recolhe e processa informações e reservam no cérebro. O cérebro funciona como departamentos a mente é um fenômeno sistêmico que funciona como um comitê de decisão. Quando uma necessidade consciente sente falta do conhecimento reservado, a mente põe-se a funcionar e têm-se o fenômeno da intuição.
A intuição é um recurso desperdiçado nos ambientes onde a razão e a lógica prevalecem e onde o trabalho em equipe não faz parte da cultura.


Sobre Criatividade

Muitas pessoas não se acham criativas. Acreditam que criatividade é coisa de artistas e de gênio. Pensam que criatividade é como acidente: só acontecem com os outros. Que desestima! Mas o que as fazem pensar assim?
Quando bebês foram capazes de resolver problemas enormes: segurar um objeto, conduzí-lo à boca para sentir o gosto, andar, subir um degrau, dirigir-se ainda que engatinhando em determinado local desejado, etc. De onde vieram os recursos para que tais problemas pudessem ser resolvidos? Do potencial criativo nato. E não faltava coragem! Subia, caia, levantava e... novamente, caso fosse necessário. Aliás, desistir não era a regra. A regra era tentar até conseguir!
Força de vontade, entusiasmo, coragem, perseverança! Parece que as pessoas criativas desenvolveram algumas virtudes para obter criatividade. Criatividade é um dom? Sim! É um dom divino dos quais todos fomos dotados.


Sobre Bom Humor

Pode ser por causa da acirrada competição. Pode ser por causa do governo, suas leis e tributação. Pode ser por causa das crises. Pode ser por causa dos chefes chatos. Não importa! Tem gente que botou na cabeça que trabalho é coisa séria e não é lugar de divertimento. Pobres sofredores! Que escolha mais insensata. Estão fazendo do ambiente de trabalho um local de doentes. Conta-se que os trabalhadores nos EUA consomem mais do que 15 toneladas de aspirina por dia. Prá que isso?
Alguns paradigmas: para ser profissional tem que ser sério para se mostrar ocupado tem que ser sério para dar mostra que se está diante de um grande desafio tem que fazer pose de sério. Ora! Isso é uma agressão contra a natureza humana. Os seres humanos são criaturas espontâneas e brincalhonas. Mas, quando chegam no ambiente de trabalho, vestem a "roupa" de profissional e colocam a "máscara" de indivíduo sério.
É comum todos estarem ao lado da máquina de café, contando piadas e falando de futebol, até o momento em que todos se sentam ao redor da mesa de reuniões para decidirem. Acabou o riso, as piadas, todos se revestem de caras sisudas. As pessoas que estavam tomando café eram autênticas essas, ao redor da mesa de reunião, são atores. Até quando as decisões nas empresas serão tomadas por atores e não por pessoas plenas?


Sobre Tempo

"Quem morre de trabalhar merece morrer!".
A frase é lacônica, mas é somente para colocar um pouco de humor no texto. Mas, se essa não agradou, tem essa outra:
"Quem trabalha muito não tem tempo de ganhar dinheiro".
Existe algo de verdadeiro nessa frase popular. Tem muita gente que trabalha muito, mas trabalha errado. Emaranha-se no fazimento e não tem tempo para pensar, muito menos para aprender, nem um pouco para mudar. Com isso, cria um círculo vicioso onde as mesmas práticas produzem os mesmos resultados e não dá prá ser diferente, não é? Se não mudar o jeito de trabalhar não há o que se esperar com relação aos resultados obtidos: serão sempre os mesmos.
Qual o segredo das pessoas que, com o mesmo tempo que todos têm, produzem uma porção de coisas?
O segredo é saber utilizar o tempo e fazer aquilo que precisa ser feito. Nas empresas, é muito comum verificar que muitos empresários não exercem de fato o seu papel. Caem na armadilha da rotina e da burocracia e acabam fazendo o trabalho que compete a outras pessoas. Trocam o tempo destinado à estratégias e à comunicação com o tempo da execução de tarefas delegáveis.


Sobre Liderança

Não se trata de um engano! É que acabamos de concluir um pequeno círculo que interliga liderança com equipe, essa com motivação, depois com intuição, criatividade, bom humor, tempo e depois liderança... O aprendizado é melhor quando utilizamos o pensamento sistêmico. Isso significa que tudo está relacionado a tudo. Se desejar, retorne e reinicie, agora interligando um assunto a outro. Uma vez juntas, aumenta a nossa capacidade de compreensão e de correlação com a realidade. Tente buscar a relação que existe de uma coisa com outra e delas com a sua realidade. Vamos... experimente...


Autor: Roberto Adami Tranjan

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